Quando a bestialidade humana, expressa no provérbio: "O homem é o lobo do homem" (homo homini lupus), ou quando o assassinato "judiciário" de uma pessoa se torna algo "natural"?
Um ato tão brutal, que exaltado por intelectuais e aplaudido pelo povo, em resumo, foi sancionado, apresentado e sentido como instrumento idôneo - adequado à civilização e à religiosidade de um povo - que se pode ser empregado sem ser acusado de assassinato.
O problema não consiste em constatar a ferocidade humana, mas em procurar entender porque o instinto jurídico, e como e quando um momento impulsivo e incontrolável do agir humano se transformou em ação legal, racionalmente calculada e predeterminada, regulada por normas precisas e sancionadas como sentença.
Em outras palavras, como a violência deixou de ser "ilegal" para se tornar "legal"?
Referência: A morte como pena: ensaio sobre a violência legal - Ítalo Mereu.
Um comentário:
Ótimo texto, crítica precisa e muito bem formalizada.
Fazendo-nos refletir sobre o ato em si e a ação posterior que estipula a lei, que acaba por si cometendo de forma legal o que a mesma reprime. Paramos para refletir na humanidade que há neste ato, ângulos a analisar... é duro sofrer a perda de qualquer indivíduo... mas reconforta ou substitui matar quem cometeu tal injustiça sobre a vida de outrem?
Postar um comentário